28 fevereiro 2007

UM MERO ACASO?




Efectuando uma pesquisa no google com o termo todonuesodebotas aparecem 5 resultados. Os dois primeiros são relativos a posts do blogue, nada de surpreendente até aí. Aparece no destakes (!), site que como o o nome indica, destaca algo que se procure, mesmo a coisa mais inútil que se imagine, como este blogue.
Mas os resultados seguintes são no minímo inquietantes. Aparecem ordenados por um mero acaso ou é algo previsto, direi mesmo, intencional, qual desígnio divino? Einstein preconizava um Universo onde tudo é relativo, mas nada é casual. Daí sempre me ter perguntado do porquê das festas formais. E onde deixei o meu pente das sobrancelhas. Adiante. A Teoria da Relatividade expõe-se, assim de forma brutal e simples. Como um exibicionista, mas sem gabardine. Uma notícia sobre Assédio Em Directo (por certo recordam aquele famigerado telefonema onanístico para a Sic Notícias) e logo a seguir o profile do Abdel! Demasiada coincidência, ou será que não? Estão a fazer a ligação? Um mais um, e tal e coiso, E=MC2? Eu estou.

CALORES



Alguém me explica o que de comum há entre termómetro e vibrações?

27 fevereiro 2007

Carta a um amigo.


E acontece que um homem normal
foi tomado por uma nuvem adversa.
Que fazer?
Abrir o guarda-chuva.



Querido Todonu:

Nestes últimos ando repassado de tumultos. Talvez esta epístola não seja a melhor granja para florir os meus privados, mas se a eles me permito creia que o faço porque em vós confio. Pois, é a vós, amigo, sábio e raro, que confio esta epístola em lacrimosa. Pois foi em lágrimas que me vi em pastel, desenhado, e desconhecido; não me reconheci no esboço que me fizestes. Que Gryllus me surge em olhos, que Circe fora? Porque o espelhado que surge é-me aos olhos hediondo.
Ora, sentia que algo andava no ar; que algo meu não passava do grafismo para a sobriedade da imagem; era a graça na austeridade.
Porque não fui traçado por linhas coloridas? Porque não fui traçado por formas esbeltas? Porque não fui traçado por superficies singelas?
Na verdade, pondo-me na pele do artista, reconheço as variações infinitas. E de resto digo: cada um pode distrair-se como bem entende, mas com o sono dos outros? Mas injusto seria privar o homem das belas artes. E quem por elas passa pode muito bem tirar proveito, e talvez sorrir, senão gargalhar. Mas, alguém rira sobre o meu retrato? Deus queira que não, ou morra já aqui.

Creia o meu amigo que me criticou de forma deveras mordaz. Depois de a desenhar, soube - veja, confio no vosso estudo e alcance de deambulações - que a outros coube o direito de a julgar. Pois bem: a fórmula segue a naturalidade: se no principio estava a pena que o desenhava, se então entremeava... vou comer um pão a palavra ultima roeu em mim um desejo de centeio com fêvera por isso pergunto se deva ou não maionesar a dita ou se a coma fresca e simples directa da grelha não interessa como-a assim mesmo já vim... a ideia, e a ideia é o artista, no fim então estará o desenhado. O seu rosto expele uma linguagem, e algumas são negros palavrões. O que me riscas, diria eu, será uma sátira?

A razão por que revesti esta epístola em tão fidalgo estilo é o jeito proverbial: " Se ninguém te louva, louva-te a ti próprio". Pois bem, revelei-me segundo o rosto e o olhar. As variações: truncadas e mal avaliadas algumas. Deixo de lado as metamorfoses sociais dos sorrisos. E como em Nestor, ora, como em mim, o tempo altera mudanças feitas e engrena outras que tais. Nesta pena estou congelado. Vê-de! Congelaste-me o rosto? Olha-me agora.
Não me importo que a Circe me ronde. Mas, e já Erasmo dizia, criticar será morder ou alertar os homens? Pois bem, que me alertas, ó artista? Demais, agora que penso, sou eu quem faz o alerta, e meu amigo me perdoará: vós tendes um traço por demais nefasto; como desenhador vales peva.


Do seu querido e sempre amigo,

Abdel.

25 fevereiro 2007

A OESTE DO GUADIANA




Só aqui, meus amigos, só aqui...
Dada a escassez de MBs nestes anexos ao lado do fim do mundo, é natural que haja lugar para localidades chamadas Multibanco. Não estou certo, mas suponho que basta estarem mais de 6 pessoas junto a uma máquina para se considerar isso uma vila. Com um café ao lado, passa a cidade.

24 fevereiro 2007

PRECAVIDO

Aulas de português proibidas em liceu suiço

O director de uma escola suíça está a impedir, desde Janeiro, cerca de 100 alunos portugueses de frequentar as aulas de língua portuguesa, atitude que pais, alunos e professora consideram "xenófoba" e "discriminatória".



Não sou da mesma opinião dos pais, alunos e professora. Considero que o director da escola está a precaver-se de um futuro sombrio. Sabendo ele do desconxavo que é este País, antes cortar o mal pela raíz do que ver um cantão luso a crescer e a corromper o país dos relógios com cheiro a queijo.

OS PRODUTORES DE COTÃO

Para quem quiser e tiver tempo a desperdiçar, eis as fronhas dos tipos mais sexy do mundo virtual. Sim, porque no mundo real não conseguimos seduzir nem uma profissional do sexo. A quem adivinhar quem é quem (porque nem nós sabemos, tal a destreza maneta do escanhoador de serviço) será entregue uma bela vitualha*.






*Uma cópia em betamax dos Jogos Sem Fronteiras de 1988, narrados pelos carismáticos Eládio Climaco e Ana do Carmo. Esta bela peça de coleccionador, digna de figurar no "Coleccionando" de Luís de Sousa, vem embrulhada num belíssimo naperon, cortesia de Abdel.
(Infelizmente acabaram os posteres do Eng.º Sousa Veloso)


PS Quem estiver interessado em fazer a sua bela face ou de alguém mais apresentável, é só experimentar aqui.

23 fevereiro 2007

A MUDANÇA

Alterei novamente o look aqui do estaminé. Não sei porquê, mas este fundo tipo papel de parede lembra-me sempre cotão. Daquele do bom, do clássico, sem aditivos nem conservantes.



O BESUGO

DÃO-SE ALVÍSSARAS * A QUEM ENCONTRAR ESTE BESUGO !!!



*um poster assinado do Engº Sousa Veloso e uma cassete betamax com o programa 948 do TV Rural (incompleto por ter gravado o Sequim d´Ouro de 1987 por cima)

AS PRIMEIRAS IMAGENS

Eis as primeiras imagens deste estranho e obscuro (mas ao mesmo tempo emanador de um certo carisma de batedor de carteiras da Faixa de Gaza) espécime luso, o Celsibero!






(Agora que se abriu a caixa de pandora, seguem mais novidades Celsiberianas em breve)

14 fevereiro 2007

A SUDESTE DO GUADIANA

Era de tarde, início da tarde e T. desce a rua. Uma rua pacata da modorrenta Vila de P. T. procura um "abrigo" que lhe sirva descanso às pernas e, quiçá, uma beberragem. T. desespera, pois todos os "portos" estão fechados. No seu périplo T. depara-se com um espécime autóctone no seu habitat natural: uma esquina ao sol. T. questiona-o. Pergunta-lhe se há algum sítio onde abafar o calor instalado na garganta. Z. (chamemos-lhe assim) responde: " O cabrão do Central está aberto". T. já lá tinha passado e diz que não, estava fechado e pergunta porque Z. acha o tipo do Central um cabrão. Z. responde com a calma que lhe vai nas entranhas: "Porque está fechado."
T. abalou, ensimesmado com tamanha lógica.

06 fevereiro 2007

À BEIRA DA ESTRADA




Ora bem amigos. Não costumo olhar para facturas de coisas com valor tão mixuruca como um café, mas algo me levou a reparar nesta.
Sempre soube que as estações de serviço são geridas por uma bem organizada congregação de chulos e ninguém me convence do contrário. Com o advento das autoestradas e afins, convenhamos que era difícil alguém "micar" as meretrizes, dada a velocidade de circulação. O que em alguns casos era uma benção. Daí a aposta desta espécie de "machularia" nas estações de serviço, mais precisamente nas "lojas (coffee shops)". Nem tiveram que mudar o local do negócio pois continua a ser bem à beirinha da estrada e puderam continuar a aliviar a carteira do incauto automobilista. Como sei que são quengas que ainda trabalham lá? Simples, como a escrita nunca foi o forte delas, mas sim a "oralidade", percebe-se o porquê de para elas Spearmint não ser diferente de Spermint ou ainda de Sperm!!! Velhos hábitos não se perdem de um dia para o outro.
A única diferença entre a antiga situação prostibular e a recente é que agora quem sai f****** é o cliente.
Mas adiante. O que me leva a falar disto é o que vem escrito na factura.
Ora vejam:

TRIDENT SPERM

Mas que belo hálito ahn? Proteico...

EEEENE PA!!!!

Hi,

Vniagra 3, 35
Vnalium 1, 25
Cnialis 3, 75
Anmbien 2, 90

http://screw.22rx,com

Important: Replace "," with "." in the above link


Enxperimentei fnazer cnomo on snenhor dna mnensagem ancima en pnassei unma mnanhã an cnolocar unm nn an sneguir àn pnrimeira lnetra dne tnodas ans pnalavras qnue dnisse. Nnão fnoram mnuitas, mnas ans snuficientes pnara mne onferecerem unma bnela en nnada dnesconfortável cnamisa bnranca dne anpertar antrás.

01 fevereiro 2007

O AMOR ESTA NO AR

Marli está de volta com "O Amor Está No Ar".
Após meses de ausência, abençoando os nossos ouvidos com o silêncio devido, Marli apresenta-se em forma, roliça, macia, carnuda e, por fim, curta e grossa, mostrando todo o seu poder vocal e carnal. Uma diva, enfim.
Se em Bertulina Marli já atingia picos de insanidade imesuráveis, então que dizer deste desvario? Apenas que não há limites para a criatividade burlesca de Marli. Dois momentos a registar: a mestria de Marli no piano, qual Maria João Pires, e a aparição do assexuado Ken, saído de um cozinhado à base de dois ovos e uma cenoura (can you picture this? oIo). Julgo que definem a aura sexual que envolve o estranho mundo de Marli.
O refrão é pungente. Visceral mesmo.

"Minha flor está pronta pra ser polinizada.
O Amor está no ar, vamos copular"

Em suma, este tema não é um hino ao amor platónico, das emoções, mas sim um grito desesperado por troca de fluídos, vulgo queca.
É verdade que a flor está lá, só não sei quem a quererá polinizar.

31 janeiro 2007

ELA, A CRISE

Afinal, não é apenas um gemido de carpideira de alma lusa que entoa a habitual ladainha da crise. A prova é dada pelo presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, ao desnudar os terminais inferiores, exibindo deste modo, uns notáveis respiradores no peúgo. Duas hipóteses se colocam: não tem tempo para cortar as unhas ou ninguém lhe ofereceu o tradicional peúgo natalício, o que é uma pena. Ora cheirem.



Hmmm.... Wolfowitz não soa a Cel(sionista)?

30 janeiro 2007

DO LENTE, BALUARTE ACADEMICO

Ó grande TODONU! Tu que iluminas o caminho aos ceguinhos do universo! Grande é a tua ubiquidade... Este teu sms merece honras de edição global! Venha ele:

30 Jan 2007 13:25

"Espantoso... Estou a ver as notícias e 5 tipos de diferentes sindicatos tinham lentes fotogrey... É um quesito?".

Creio que a luz é finalmente revelada! A ambiguidade do fotogrey, imagem de marca do sindicalismo luso. Um tou-ta-ver-agora-não revelador da qualidade dos nossos combatentes pela justiça laboral. Graças a eles, os nossos governos fazem tudo o que querem desde 1910....... Ok, estou a exagerar, não é só graças a eles; também haja responsabilização do senhor multióptico, disseminador da farda ambígua, uniforme do Homo variabilis. Tudo se explica. Obrigado......

22 janeiro 2007

HOJE FUI ÀS LARANJAS




bem boas.

Abdel.

19 janeiro 2007

O CARRO É DE MORTE

O projecto segue. Admirai...








Vou procurar o batimento dessa Europa morta. Quem sabe, se aprender a tempo a santa unção, a salvarei. Mas o trasporte vibra já.

11 setembro 2006

COPY PASTE DOS MEUS DESEJOS

"Non-travelers often warn the traveler of dangers, and the traveler dismisses such fears, but the presumption of hospitality is just as odd as the presumption of danger. You have to find out for yourself. Take the leap. Go as far as you can. Try staying out of touch. Become a stranger in a strange land. Acquire humility. Learn the language. Listen to what people are saying. It was as a solitary traveler that I began to discover who I was and what I stood for.
"

--Paul Theroux, Fresh Air Fiend (2000)

22 agosto 2006

O autocarro e o sexo virtual.

Vinha desde muito, faziam já 10 minutos que vinha. Ouvia o marulhar da cidade pequena, da cidade pacata, deste aglomerado sobre o monte, desta que escorre para o vale: Viseu. Não pensava. Nada me detinha. Não era. Apenas ia.
Esperei na paragem. Ele chegou calado e quase vazio: na frente do autocarro uma bela rapariga: rara, pensei, rara nos locais limítrofes, aldeã bela: imaginei-a sobre os montes, de calção curto a estender roupa, ou a virar leira à cavadela, ou a estropiar milhos jovens prontos a ser colhidos, prontos a ser tragados. Imaginei-a. Deixei o pensamento seguir, deixei a imagem alimentar-se da verdade espelhada, copiada do seu corpo encaixado naquela primeira cadeira. Procurei os trocos para pagar a viagem e pensei numa estratégia para me sentar ao seu lado. Enquanto o condutor rasgava o bilhete olhei o longo do autocarro, o fundo escuro, a irmandade vazia dos bancos intermináveis: engoli a última saliva da tarde. Segui, olhei-a mais uma vez e continuei duas filadas de assentos. Abri o jornal e continuei a ler as peripécias entre Líbano e Israel.
Mas não me interessavam as peripécias de dois países que se mutilavam: não queria saber. A volúpia, mais que o amor, torna-nos egoístas a este ponto. Queria falar com ela. Ela que se mantinha calada, quieta e imóvel... imaginei-a seminua sobre a esteira da varanda de granito, banhada em sol morno; imaginei-a caminhar num carreiro estreito entre muros médios: arrancou uma folha de videira, petiscou um cacho, humedeceu a anca num regato tímido, ecoou o tinido rebelde de uma toutinegra sedutora...
Torredeita apresentava a sua silhueta ao fundo, vi-a pela janela suja. Saí como entrei: tímido e calado.

Abdel.

20 agosto 2006

A minha preferência.

Gosto especialmente disto:

Kirkkadale said...

mas que blog mais seca...

abdel.

24 julho 2006

bravura.

guerra.

civil parcial total preventiva preemptiva
por procuração fria nuclear biológica
quimica comercial subversiva psicológica.

estilhaço estrondo armadura
ferida desmantelamento desmembrado
sozinho

sem
nada
1
coisa de nada.

eu + tu { onde tu é grupo de dois, ou pouco mais, com grito mais alto que 3 } = 0

Abdel.

19 julho 2006

Jump Day

Celsiberos de todo mundo! Uni-vos amanhã, dia 20 e às 11:39:13 (sim, exactamente a esta hora) saltem durante dois minutos.
Calma, não estou sobre efeitos de alcoóis ou psicotrópicos.
Amanhã, é o grande Jump Day. Cientistas, loucos ou não tentam, provar desta forma, digamos, supimpa, que é possível alterar a órbita da Terra e diminuir os efeitos do aquecimento global.
Um detalhe... sendo a terra redonda, que zona deve saltar mais para tirar a Terra dos "eixos"? É que se a coisa corre mal, ainda pomos isto em direcção ao Sol.
Enfim, loucura ou não, vou saltar os meus dois minutitos. Se não resultar, sempre são dois minutos de exercício.

Jump here!

EDIT

Catano! Não é que era uma farsa do camandro? Mas mesmo assim, uma bela farsa...

06 julho 2006

NINGUÉM, UMA PORRA!!!!

Não, não está errado... Do mesmo modo que aos belgas é permitida a escoliose sintáctica, também a tal nos permitiremos!

Na verdade, após longa ausência por inefável sorvedouro de jericage que tem sido a minha santa jorna, aclaram-se-me os dias na tépida vontade de renascer celsibero diário. Por isso, venho falar de BOLA. Ehehehe... O mais elementar dos corpúsculos caspóreos, leia-se futebol, tem trazido até nós a benesse da mata verde!

Têm ouvido a implacável sirene de meia em meia?
Têm respirado o belo ar beirão estival pleno de fuligem e monóxido?
Têm berrado a célebre "era queimá-los", ou melhor "era amarrá-los a um pinheiro, carai"?

Confirma-se. A agricultura e a piromania nacionais, confirmadas causas de referência para a contribuição de um Portugal mais breu, pararam, meus senhores!!! Qual o pirómano que, entre duas profundas golfadas da mini ou duas beberricadelas marteladas não pára para assistir à queda do melhor representante da histórica, diria melhor genética linhagem nacional: o Romeiro!

Pois é, entre a folia da Senhora dos Medicamentos Lamecense, ou da Senhora do Santo Alguidar da Divina Aliviação consta que este "romeiro" (leia-se com o gesto tenebroso e propiciador de um estalo na boca de dedos a fazer aspas e de ombros encolhidos) surgiu em tempos para se dar a conhecer. A resposta é célebre... Depois do que vi nesta copa, passado o lutoexpresso, compreendendo a insignificância económica de um país periférico inclinado para o mar em entorses evolutivas, sorrio, porque até a Federação Maior da Bola se tramou quando a força tuga lá foi minando a vida aos maiorzitos dos contratos milionários dos consórcios mundiais. SIM SENHOR!!!

Quero dizê-lo bem alto: Ninguém??? NINGUÉM, UMA PORRA, Ó PALHAÇOS!!!!

Mas descansem... Continuaremos a periferar na jericage genética mais umas gerações! As minis acabaram e os golos também! Chegou o desporto de Verão!!!! Mais umas décadas...

02 julho 2006

O silêncio deste vale.


O silêncio deste vale.




Este é um lugar inóspito e duro. Doloroso. Ásperos são os dias que correm sobre o veio do tempo. As escamas que balançam não são mais que escamas: serão nada mais porque não há brisa que as mova.


E sentes-te perdido. Algures entre o áspero duvidoso do estar e do ir. Que fazer? A brisa ainda não surge. Nada surge.


Calma... o silêncio tem a espessura de ramos verdes de oliveira e o comprimento de um latido, morte de cão vertido em sangue na ribanceira.

Mas alguém... os dias desaguam em desertos, nudez perpéctua, as escamas húmidas, gémea fotografia... ninguém.


Circundo as coisas, sempre as coisas são diferentes mas da brisa nada ouço. As ideias são mesmas em si e nada em mim se revela. Ninguém ainda.



O silêncio é uma rua fechada. Abro o diafragma do vento e expelindo todos os pinheiros vistos, os arrabaldes conhecidos, as mulheres amadas, os mosteiros visitados, as ervas e flores cheiradas, as borboletas cercadas, o sono tomado, o sexo desejado, os mergulhos tomados, expelindo todos em voo incerto, algo surge, sobre a brisa, não nela, mas com ela, o grito do eco, o outro.
Rubro como eu sobre o penedo, sozinho, tomo-te. Onde estás?

24 junho 2006



Caríssimos...
Quem é SADOBOTAS????
Hmmmm? Hmmmmmmm? Hmmmm?




(Reparem no impaciente Hmmmmmmm do meio. Destoa dos simples Hmmmm, não?)

22 junho 2006

PVMC ou simplesmente Puta Vida Merda Cagalhões



Questionais-vos, vós, Celsiberos aculturados pela proliferação do cd e dvd, que figura grotesca será esta acima plantada. Apesar do formato da foto aparentar ser decoração de lápide não é de um óbito que vos venho falar. Para pena de muitos.
Ora, esta panaceia visual é, nem mais nem menos, um dos maiores fenómenos cotonianos que, chegado o Verão, assombram aldeias e vilas de Norte a Sul, Este a Oeste e, quiçá, de Noroeste a Sudeste deste País. Há quem relate aparições de Nordeste a Sudoeste, mas não há provas sustentadas.
Não há escaparate de K7 de bomba de gasolina ou café de berma de estrada que não ostente orgulhosamente os últimos hits deste cançonetista que já nada tem a provar e, aparentemente, a perder.
Nel Monteiro, meus caros, atingiu o pico e o sublime com o seu último trabalho, talvez superior ao Nel Alive em França ou mesmo ao carismático Azar na Praia.
"Puta, Vida, Merda, Cagalhões". Leram bem. Assim se intitula a última, digamos, "obra" do Grande Nel. Neste, Nel desbruça-se e esmifra o caspismo nacional, largando pérolas de sabedoria intervencionista, apenas comparáveis a um qualquer Palma, Godinho ou Mário Branco. Isso mesmo. Nel traz a música pimba para um outro patamar. Cansado da obliteração e do achincalhamento a que a música pimba foi sendo votada, este ilustre não faz por menos e escavaca tudo e todos a cada quadra deste portento musical.
Questiono-me como será o clip deste novo intervencionista que, qual girino, renasce dos "cagalhões e da urina quente". Por enquanto contento-me com a audição da "obra".
Eis, pois, a poia fumegante.

19 junho 2006

WWW ou a Whos Watching What



Bem vindos a este Admirável Mundo Novo! Huxley estava lá. Muito à frente.
Amigos, o mundo cibernauta prepara-se para levar a maior cacetada que há memória. Provavelmente, é mesmo para nos acabar com a memória. Não, não me refiro a todas as medidas anti-pirataria que apregoam por aí. Refiro-me ao facto de a monopolização de conteúdos começar a ser uma realidade. Já esteve mais longe o dia em os ISP (Internet Service Provider) poderão controlar e impedir o cibernauta de navegar por onde bem lhe apetecer.
Poderá esta porta aberta para o mundo ir soçobrando aos interesses dos grandes grupos de comunicações, transformando-se cada vez vez mais num minúsculo postigo? Pois poderá. A World Wide Web prepara~se para ser a Whos Watching What. A História já nos ensinou que quando o acesso ao conhecimento põe em causa políticas, políticos, tomadas de decisão, que assegura que as liberdades são respeitadas e os deveres cumpridos, ou seja, que as vozes esclarecidas se fazem ouvir, surge sempre um tirano para as abafar. E este tirano não tem rosto. Pelo menos UM rosto. Tem vários. E poderosos.
Se, como é hábito do cibernauta, esperarmos que alguém resolva as coisas, em breve o SOMA começará a fazer efeito.
Dêem uma cheirada aqui e também acolá.
Os vídeos no primeiro link são esclarecedores e, fora de paranóias, assustadores.

Já tardava o surgir da caneta azul... Sempre achei que a BIC tinha algo a ver com os destinos do mundo...

10 junho 2006

de volta.


O pictorico e o linear aninhavam-se na ardosia fluida. O lodo era uma crosta que titubiava ao luar, sobre a brisa de primavera ardente que absorve e amadurece as subtilezas de caganitos perdidos no rego.
O girino – mergulhando -, salfure-se na inevitabilidade, absorve os odores e as antiteses. Chegou à cova onde o segredo se escondia, coberto de limos temporais como travestis repousados no gume amolecido entre a morte ou estupidez.
O girino repete itinerários. O rego reflete a sua sexualidade, vertida entre os cagalhões e a urina quente. O girino mergulha… os seu apendices parecem apetites sobre o peso da noite. Cresce. O girino é rã.
Entre o nojo ele cresce.
Eu.

08 junho 2006

A goela




Apenas para registar o feliz encontro de dois celsiberos com um ilustre viseense, de nome esbatido pela nebulosa memória do momento. Ilustre porquê? O senhor de alva indumentária é nada mais nada menos que o recordista mundial (está registado algures na web, endereço também nebuloso) do emborcamento de imperiais. Qual Copperfield a soldo da Unicer, este mago da goela faz desaparecer 3 tubos em menos de 10 segundos!
É do cacete...

(Nota: as máscaras a negro são apenas para salvaguardar o anonimato dos celsiberos presentes, ou seja, os tipos à direita e esquerda, os quais, segundo minuciosa peritagem recolhida à porta do Lafões, podem muito bem ser os tipos à esquerda e à direita. É um ponto de vista.)

Marli

E quando o mundo parecia fazer sentido eis que surge Marli para derrubar todas as verdades insofismáveis (sempre quis escrever isto, fizesse ou não sentido).
Pois bem, se quando falamos de sensações auditivas capazes de fazer crescer pêlo no mais acirrado caso de alopecia, colocamos Sônia Rocha num inalcansável patamar cotoniano sonoro, onde situar, então, Marli? Esta nova vedeta do cançonetismo Blew Age balança na linha que traça o paralelismo do som contemporáneo (por mais que toque ou cante nunca se encontra). Da junção de uma serra mecânica vocal com um orgão Casio a entoar as mais belas melodias Midi, Marli do improvável faz a sua caipirinha e torna-se inclassificável no tocante à produção sonora.
Os seus vídeos são tocantes. Como ferro em brasa atrás da orelha. Do vodu ao estilo Mason (não o Marylin, mas o Charles), passando por ondas psicadélicas non-sense e repentismos handycam, Marli devassa o establishment e destrói por completo tudo o que a indústria ditou até então.
Mas nem tudo é cinza. Há umas partes a cor. No vídeo.
Ora... visionai, celsiberos, visionai!