ou
"Lixivia em excesso pode provocar morte precoce."
"Saiba morrer o que viver não soube."
Com um suspirado "Catano!" me despeço, minhas flores.
Abdel.
-Da destilação de bagaço ao universo do azulejo luso, eis um brinde ao ursismo do colectivo! Urra! Albergue da caspa dos dias e do cotão que tanto nos preenche. Também gostamos de naperons e aparamos gratuitamente as patilhas a portadores de lentes fotogrey-


Instigado por Abdel, esse ser de mente profícua e sempre actualizada para assuntos do belo sexo, parti em busca de um ou outro vislumbre da frondosa e cheia de saúde Vanessa Palma, jovem que alegra as madrugadas de muito indígena sofredor de insónia, apresentando um daqueles shows telefónicos que, coiso. Acredito piamente que o facto de todos estes programas terem uma jovem agradável à sua frente é inversamente proporcional à qualidade do mesmo. Não interessa se articula duas sílabas correctamente ou mesmo se fala sem criar a sensação de ter a boca cheia de arroz. Vejamos: imaginem o Petit (jogador da bola, ex-Boavista, ex-SLB, ex-HomoSapiens) a apresentar um programa deste calibre. Preenche todos os requisitos, mas perde largamente em matéria de curvas, o que é uma maçada para as audiências.
Bom, estou a fugir ao importante. Que é, como devem calcular, o défice no Burkina Faso e o papel de Vitor Constâncio no surgir de flor nos vinhos da Lageosa.
Ao contrário do que julgam, não vou expôr aqui as belas curvas da Vanessa. Não que sejam de menosprezar, mas porque o que me leva a escrever estas linhas é o requinte de um comentário a essas mesmas fotos. A escrita é crua e pungente, mas ao mesmo tempo carregada de poesia, de uma líbido incontida, descritivamente de tal forma ambígua que ainda não percebi se o autor se refere à lisura das páginas da revista ou à derme da menina...

*Aconselho um certo pudor aos mais sensíveis. Ou não.

O frio, sim, o Inverno. Quem não tem saudades do tempo morno, o rabo de saia madoto que bamboleia docemente na brisa doce e temperada? Mas, saudades tereis, saudades terás. O Inverno cá por cá anda e dizem nos balcões de tasca, "Tão cedo não irá!", acrescentando um impropério forte, produto do ácido do de sarmento.
Mas, o que me tráz? Algo, que é o mesmo que nada. É, tão só, um livro que, Empresa!, amadureça as duras tardes frias que se prolongam. Trata-se tão só do Crochet Patterns for Dummies. Padrões lindos e belos e mais adjectivos terá mais alegres sereis, minhas lindas cdianças.
E então, sim, então, um brinde para os afortunados - que desde já vos dou, minhas madotas!

How to Live with a Huge Penis: Advice, Meditations, and Wisdom for Men Who Have Too Much. Comprem, meninos comprem.
Obrigado, voltem sempre que possam, e Boas leituras. Porque lêr, é... crêr.
Abdel.
- Na escola era O Estranho, o que não era de todo estranho, lembras?, disse-me ele, já homem, neste breve encontro junto a uma rotunda florida de papoilas; ele inaugurava, eu apreciava. A gravata era laranja, subtileza da Providência.
Brincava sempre sozinho porque as suas brincadeiras não eram comuns. Comprava bombas na papelaria mais próxima e estourava-as nos caixotes do lixo da escola; tinha na mochila uma flobert que deitava por terra, com uma eficácia mortífera, todos os frutos suspensos no diospireiro junto ao campo da bola.
O Nino – chamava-se em surdina! - era alto, magro e caminhava direito, com o olhar constantemente num alvo imaginário: nunca o perdia de vista. Um dia enchi-me de coragem e com meio croissant de chocolate nos dedos, outro meio no intervalo dos dentes, perguntei o que ele queria ser quando fosse grande. A minha pergunta tinha uma razão: as pessoas, ao longo do tempo, domesticam os gostos e aperfeiçoam as ferramentas. Este pensamento não o formulara na altura, obviamente – era estúpido demais para raciocinar com lógica. Seria o instinto básico de auto-preservação: queria precaver-me, mudaria de país se o calibre mo recomenda-se.
- Chefe de guerrilha!
E os olhos do João brilhavam como berlindes. Achei meio interessante – não é um brasileirismo: meio porque ser Chefe é sempre bom, apenas não sabia o significado da outra palavra, Guerrilha.
Mantive-me distante, mas atento à evolução do João. Não queria levar com um chumbo perdido. Sempre que nos cruzávamos cumprimentava-o. Queria manter aberta a possibilidade de usar a sua pontaria ao meu serviço se algum rufia da escola me incomodasse mais que o normal.
Hoje, o João Vieira é um político, que mais que diligente, é ameaçador. Todos na cidade se lembram da sua apetência para o fogo
abdel.




